sexta-feira, 15 de julho de 2011

Vivo com um pé de cada lado
Um no Inferno e outro no Céu
Sem esforço toco-lhes com as mãos

terça-feira, 12 de julho de 2011

Anseio - ES

Anseio a rotina
Anseio a hora de Regresso a casa dia após dia
Anseio o Beijo de chegada e os queixumes do trabalho
Anseio a Hora do jantar e a loiça a arrumar
Anseio essas pernas Entre as minhas no calor dos lençóis
Anseio o Hálito da noite , o empurrão e o encosto
Anseio o duche ao Acordar e na memória o teu cheiro
Anseio a Despedida e as procuras pelo dia fora

...a cada passo - ES

A cada passo resvalam-me os pés e as mãos vão às pedras
Olhando em permanência para o passado
As vicissitudes , os desideratos ...
O anseio e a sofreguidão deixam-me ébrio
As considerações, análises na gestão da essência da vida
Os comportamentos lúbricos e as reacções aos mesmos
A morte, o medo, a angústia, o corpo em decadência...
O reflexo da minha imagem neste espelho revela que já passei a meia vida

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Perdi-te - ES

O frio da sua pele exangue fétida de etanol
As costuras remediadas no seu cadáver eram visíveis
O súbito vazio na consciência de que já se perdera tudo
Debruçado sobre si beijei a face pálida e vincada
Aquele fato negro há muito esquecido agora vestia-o
Quase o derrubei na tentativa de o tentar alcançar naquele fundo de madeira
Os afectos dos que me rodeavam nada me valeram naquele dia
A morte levara o meu criador em definitivo
A mágoa , a revolta , o medo ,...

terça-feira, 5 de julho de 2011

...o teu lado quente - ES

Ao fim daquela noite "inteira" acordo dormente
Demente ainda olho para o teu lado quente
Ciente da ainda loucura recente para lá passo
Toco-me como se a mão fosse de outra gente
Ardente o meu corpo varre a cama em prazer premente

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Quando me falas -ES

Um murmúrio em jeito de confissão
Num gesto a mão desliza na face
O hálito quente e húmido entorpece
Ébrio e sedento pelas mesmas palavras
O mesmo calor,o odor da pele fragosa

A brilhantez desse olhar acutila-me os sentidos

terça-feira, 28 de junho de 2011

... vou para longe - ES

Afasto-me e sinto-te tão perto que a ausência não marca
A angústia numa coexistência em cadência mareada vai minando o nosso dia a dia
Sabes meu amor, às vezes penso em ti e sinto um misto de dor e alegria
São tempos difíceis e cada um caminha pelos próprios pés
Entropiado na minha permanente dedicação,afasto-me...

Desesperas por emergir ... e eu também !